01/09/2008

Foto novela interpretando a poesia

De um exercício realizado com os alunos da oficina de audiovisual à cerca da realização de foto novelas e interpretação de textos, tivemos a realização dos seguintes trabalhos fotograficos em cima dos seguintes poemas:

O MEU OLHAR (Alberto Caeiro)

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...








Essência (Daniel de Deus)

O júbilo da justiça civilizatória
- que nos desvia o caráter para imersão no pseudo-cosmos social -
voluntariamente arrasta sob mim sua carcaça guinchante
qual ratazana,
em cálido cio no conclame de seus pretendentes
posta em nobre seleção.

Posto que diante deste presente, meu futuro secou e morreu.
Enterrei-o aqui mesmo ao fundo de meus quintais impregnados
muito passado e pó
Pusesse as mãos na infância uma vez mais...

Exultante artista,
pequeno equilibrista,
um, que sendo era tudo,
e quis de tudo fazer.

Hoje o perpétuo homem solitário
perplexo caminha em desvario
e à seu tempo pousa nostálgico
nos sabores suculentos de sua meninice...






foram realizados mais trabalhos que serão postados em breve


por Daniel
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